O que é a terapia de casal? Como funciona, para que serve, dicas e mais!

O que é a terapia de casal? Como funciona, para que serve, dicas e mais!

Você já pensou em fazer terapia de casal? Neste artigo vai entender como funciona, seus objetivos e os problemas mais comuns dos casais. Clique para ler!


Considerações gerais sobre terapia de casal

Casal conversando com terapeuta

Relacionamentos amorosos não são fáceis. Em maior ou menor escala, é inevitável a existência de divergências e conflitos. E, assim como a necessidade de encontrar estratégias para lidar com problemas leva muitas pessoas a buscarem o acompanhamento psicológico individual, essa necessidade dentro do relacionamento amoroso pode levar os envolvidos a buscarem a terapia de casal.

Vale ressaltar que "casal" não se refere necessariamente a uma relação entre homem e mulher, ambos cisgênero. Existem várias possibilidades nesse sentido, que abrangem casais homossexuais e pessoas transgênero ou não-binárias.

Todos esses indivíduos devem ser acolhidos pelo psicólogo, que, segundo o código de ética da profissão, não pode praticar qualquer tipo de discriminação. Existem ainda configurações não-monogâmicas, ou seja, relações amorosas que envolvem três ou mais pessoas (de forma consensual), e elas também podem ser o foco da terapia.

Mas, como a ampla discussão sobre não-monogamia ainda é recente e não há técnicas específicas para esses casos (depende de cada caso e de como o profissional aborda), este artigo dará ênfase a relações a dois.

Entenda o que é a terapia de casal

Casal de mãos dadas em terapia de casal

A terapia de casal deve ser guiada por um psicólogo. Ela pode ser buscada por qualquer casal, mesmo que não existam problemas graves na relação. No entanto, é mais comumente buscada por casais que sentem que a relação não está saudável. Confira a seguir mais informações sobre a modalidade.

A terapia de casal

A terapia de casal é uma modalidade de psicoterapia clínica voltada para o atendimento conjunto de pessoas em uma relação amorosa (mais comumente casadas ou em união estável). A prática visa, principalmente, contribuir para a resolução de conflitos e a melhora da comunicação do casal.

Através de intervenções guiadas por um profissional capacitado e com escuta qualificada, o casal tem a oportunidade de expressar o que pensa e sente de forma clara e funcional e exercita a compreensão mútua, dentre outras habilidades importantes em um relacionamento amoroso.

As técnicas da terapia de casal

Diversas abordagens podem ser usadas na terapia de casal. Isso depende bastante do direcionamento do psicólogo — por exemplo, um profissional da linha comportamental tende a atuar de forma bem diferente de um que se baseia na psicanálise.

Mas, via de regra, terapeutas que atuam nessa modalidade usam muito técnicas de mediação de conflitos, além de recursos educacionais e técnicas de terapia individual. As sessões alternam entre o atendimento em dupla e o atendimento individual (com um número equilibrado de sessões com cada um), pois existem questões que são melhor trabalhadas individualmente, apesar de afetarem a relação.

É possível dizer que a terapia de casal tem três pacientes (ou clientes): um parceiro, o outro parceiro e o casal. As características individuais de cada envolvido afetam a relação, e existem comportamentos que acontecem apenas naquela combinação específica ou se sobressaem nela. Então é importante que o terapeuta trabalhe com os três ângulos.

Principais motivos para buscar a terapia de casal

Se já é comum ter conflitos com pais e irmãos, que você conhece desde que nasceu (ou desde que seu irmão ou irmã nasceu), naturalmente a união com outra pessoa com uma história bem diferente da sua trará desafios.

Por mais que os parceiros tenham pontos em comum, sempre existirão divergências significativas em alguns aspectos, como valores, hábitos e formas de se comunicar. Em alguns casos, essas divergências geram atritos graves e desgaste na relação — o que não significa que ela esteja fadada ao fracasso.

É possível encontrar estratégias para tornar a relação mais saudável. A má comunicação se destaca entre as queixas que os casais relatam. Uma comunicação truncada ou muito agressiva, por exemplo, dificulta a resolução de conflitos e promove o afastamento emocional.

A incompatibilidade em questões essenciais, como as que envolvem objetivos de vida e princípios, também causa sérios problemas nas relações e comumente é tema da terapia. Alguns casais buscam a terapia já em situações drásticas nas quais o relacionamento está prestes a acabar, como no caso de uma traição recente.

Nesses casos, o motivo mais urgente deve ser o foco, mas eventualmente deve-se chegar às questões que estão por trás do problema e dizem respeito à forma como um lida com o outro.

Como crises mal resolvidas podem afetar a relação?

Fantasmas de problemas mal resolvidos inevitavelmente voltam de alguma forma. Eles podem ser a causa de conflitos recorrentes ou ficar tão escondidos que você até se esquece que estão lá, mas vir à tona de vez diante de um gatilho.

Crises que não tiveram um bom fechamento ou até mesmo incômodos que surgem e são ignorados podem trazer novos problemas na mesma relação ou em relações futuras, às vezes resultando num rompimento.

Pode ser que essas questões simplesmente transbordem e gerem um grande atrito ou que gerem um afastamento gradual que resulta numa mudança do que um sente pelo outro. Por isso, é essencial reconhecer os problemas que surgem e buscar formas eficientes de lidar com eles.

Lidando com os conflitos em uma relação

Lidar com conflitos num relacionamento amoroso exige colocar o orgulho de lado e colocar-se à disposição do outro para ouvir. É essencial que as duas partes adotem essa postura para que o diálogo flua e a possibilidade de consenso ou apaziguamento aumente.

A falta de confiança é uma causa muito comum para atritos entre casais. Ela pode já estar presente desde o começo da relação, muitas vezes por motivos pessoais de quem desconfia, ou surgir a partir de um gatilho, que pode ou não vir de uma atitude do parceiro que é alvo da desconfiança.

Quando você perde a confiança

Sentir uma desconfiança constante é emocionalmente exaustivo. Você se pega o tempo todo com dúvidas e se desgasta criando hipóteses ou tentando descobrir a verdade. É difícil relaxar quando o parceiro não está por perto, e a relação fica bem fragilizada.

O ciúme fica exacerbado, fazendo com que pequenos gatilhos tragam uma enxurrada de sentimentos ruins. Ao vivenciar isso, é importante primeiramente entender a origem dessa falta de confiança.

Você tem algum motivo concreto para isso? Se houve uma traição, por exemplo, é totalmente justificável. Nesse caso, avalie se existe alguma possibilidade de reconstruir essa confiança, caso queira que a relação continue. Se não há motivo concreto, cuidado para não cometer injustiças com seu parceiro.

Não precisa ignorar sinais de que uma traição pode estar acontecendo ou prestes a acontecer, mas não puna o outro sem provas. Dialogue! Exponha suas preocupações de forma assertiva e gentil, fazendo o possível para não brigar. Vale também pedir a opinião de pessoas da sua confiança que tenham um bom julgamento.

Quando seu parceiro perde a confiança

Ser alvo de desconfiança também pode ser bem desgastante — principalmente se você é inocente na história. Mas, antes de se irritar e simplesmente negar tudo, converse calmamente com o parceiro e tente entender as causas disso.

Não se coloque num lugar de culpa, pois é uma armadilha ir pela via do "eu devo ter feito algo para causar isso". Coloque-se numa posição compreensiva. Vale ressaltar que, se o parceiro tem atitudes abusivas por ciúme desmedido, é importante reconsiderar a relação.

Exponha o que está percebendo em uma conversa honesta e calma, mas, se perceber que a situação está tóxica, pode ser o caso de se afastar. Se estiver na dúvida, buscar acompanhamento terapêutico é importantíssimo.

Se você reconhece que a desconfiança sofrida existe por um deslize anterior, a compreensão deve ser ainda maior. Mas também é importante não entrar num ciclo de culpa que resulta em sentimentos ruins e súplicas por perdão.

Você se arrependeu e pediu perdão? Ótimo. Agora é hora de deixar suas atitudes falarem. E a terapia de casal pode ajudar muito seu parceiro a superar o que houve.

Sinais comuns de crise em um relacionamento

Casal conversando com terapeuta

Assim como existem sinais de que a saúde mental individual não anda bem, alguns sintomas apontam que a saúde da relação amorosa está comprometida. Confira os mais comuns a seguir.

Brigas sem sentido

Atenção para: brigas que começam por motivos fúteis, temas recorrentes em atritos que parecem nunca se resolver e discussões em loop que não levam a lugar algum. Nesses casos, vale analisar os antecedentes das brigas e pensar em estratégias em relação a eles.

Pode ser difícil identificar algumas coisas estando dentro da relação. Por isso, é interessante ter uma intervenção profissional. Brigas veladas também são mau sinal: o casal (ou um dos dois) se distancia devido a atitudes que incomodaram, mas não se dá nem ao trabalho de discutir e prefere simplesmente adotar uma postura fria e fechada.

Essa "preguiça de brigar" é sinal de desistência na relação — ou seja, o desgaste já chegou a tal ponto que não existe o interesse de tentar resolver ou se expressar.

Falta de sexo

Relacionamentos sempre passam por fases, e é comum que as demandas e mudanças da vida resultem em períodos de diminuição da libido e da frequência sexual. No entanto, a falta de sexo prolongada comumente é um sintoma de que algo vai mal na relação.

O afastamento físico pode ser consequência do afastamento emocional decorrente de uma crise. Esse cenário pode resultar em não se sentir desejado pelo outro e até em não se sentir amado, além da não satisfação de necessidades sexuais, em especial se a evitação parte sempre da mesma pessoa, que rejeita as iniciativas do outro.

Por mais que a situação seja incômoda, não deve existir qualquer pressão para que o sexo aconteça. Vale admitir que o problema existe, falar sobre ele e perguntar para o parceiro por que ele acha que isso está acontecendo, mas jamais se deve pressionar alguém a ter relações.

Se o parceiro se mostrar disposto, vale tentar algo novo para apimentar as coisas. Se não, é preciso ter paciência. Se o desinteresse no sexo parte de você, não se pressione também para fazer algo que não quer. Converse com seu parceiro e veja como ele se sente. Assegure-o de que isso não significa que ele não é amado ou atraente e explique o que sente.

Desinteresse

O desinteresse em relação ao outro é um reflexo de uma conexão emocional e mental prejudicada. Pense em como você fica ao se apaixonar: quer saber de tudo sobre a pessoa e se interessa pelo que ela tem a compartilhar, não é?

É normal que esse interesse seja mais casual e menos afoito com o passar do tempo de relacionamento, mas é preocupante quando ele some. Essa situação pode ser contornada com esforços conscientes para resgatar esse interesse.

Por exemplo, perguntar como foi o dia do parceiro e realmente se esforçar para prestar atenção na resposta e interagir. Às vezes esse tipo de escuta deliberada dá um estalo que resgata, aos poucos, o interesse natural.

Afinal, se você escolheu essa pessoa, ela deve ser interessante, não é? O uso excessivo do celular perto do parceiro também indica um desinteresse problemático, principalmente quando o outro tenta interagir e é ignorado.

Estabeleçam pequenas normas para o uso de celular se for necessário. E, quando a vontade de rolar o feed for grande, por que não compartilhar o que vê com seu parceiro para rirem juntos, por exemplo?

Traições

A traição, além de geradora de crise, pode ser um sintoma de uma crise pré-existente. Isso não significa que seja justificável ou que alguém tenha culpa pela traição cometida pelo outro, mas é importante levar em consideração o contexto e trabalhar, além do fato e suas consequências, tudo aquilo que antecedeu o ato.

Mas você sabe o que é traição? O senso comum atribui a ideia a um contato físico de caráter sexual (que pode ser apenas um beijo) às escondidas da pessoa com quem se tem um relacionamento amoroso. De fato, considerando o funcionamento exclusivo da relação monogâmica, isso configura traição. Mas não é tão simples assim.

A traição pode ser definida como uma quebra de contrato (ou acordo). Então é possível pensar em situações menos óbvias que podem ser traição. E é um problema quando isso não fica claro entre o casal.

Por exemplo, talvez flertar com uma terceira pessoa seja traição para você, mas não para seu parceiro. Talvez o parceiro até imagine que você é contra isso, mas nunca foi dito claramente.

Sendo óbvio ou mais dúbio, um ato que faça uma das partes se sentir traída representa uma quebra de confiança e pode resultar em muito sofrimento individual e na relação. Para que a traição seja superada (quer isso resulte numa continuidade do relacionamento ou não), é importante elaborar o que aconteceu e dialogar, e um psicólogo tem muito a contribuir nesse processo.

Desrespeito

O respeito deve ser uma das bases de qualquer relação. Desrespeito é algo que jamais deve ser tolerado, e é importante pontuar imediatamente se isso acontecer.

Uma relação com demonstrações repetidas de falta de respeito dificilmente terá sucesso. Apesar da seriedade do problema, é possível trabalhar essa questão (preferencialmente em terapia) para que deixe de acontecer definitivamente.

Problemas financeiros

Problemas financeiros estão, provavelmente, no topo das maiores causas de crise em relacionamentos amorosos, em especial dentro de um casamento ou união estável. Uma crise financeira gera muito estresse, e infelizmente temos a tendência de descontar o estresse em quem está mais perto.

Quando um casal atravessa uma fase financeira complicada, podem acontecer brigas devido a compras das quais uma das partes discorda, por exemplo. Como a vida a dois implica em ser afetado pela forma como o outro gerencia até as próprias finanças, isso pode ser um problema.

Mas é importante buscar dar apoio ao outro em vez de atacá-lo. Vocês estão atravessando juntos a mesma dificuldade, e permitir que isso desgaste a relação piora tudo. Especialmente em tempos de crise, os parceiros devem se esforçar para fortalecer a relação e proporcionar momentos de leveza um ao outro.

Nascimento do primeiro filho

Infelizmente, é bem comum que casais se separem logo após a chegada do primeiro filho. Em alguns casos, o casal não chega a se separar, mas permanece junto apenas por ter um filho, apesar da relação estar praticamente rompida.

Embora o nascimento de um filho seja um momento muito feliz, é também muito difícil: resulta em mudanças bruscas na rotina e torna muito mais difícil se dedicar ao autocuidado e ao cuidado com a relação amorosa.

Esse processo é especialmente desafiador para mães e pais de primeira viagem, já que não têm experiência com isso ainda e a vida sem filhos era totalmente diferente. É preciso que o casal tenha um vínculo muito forte e sabedora para lidar com todas as adaptações necessárias nesse período.

Sinais de que as brigas do casal estão se tornando preocupantes

Casal abraçado durante terapia

É normal brigar quando se convive ou se tem um relacionamento amoroso com alguém. No entanto, existem alguns sinais de que as brigas que ocorrem refletem uma relação que já não está saudável, como a frequência e o teor delas. Confira os principais a seguir.

Há mais dias com brigas do que dias sem

Sabe aquele casal que briga por qualquer coisa e raramente consegue ter um momento tranquilo de boa convivência? Isso aponta para problemas sérios na relação e resulta em muito desgaste e afastamento emocional.

O excesso de brigas é um sintoma muito comum de uma relação adoecida. Indica não somente muitas divergências entre o par, mas também uma inabilidade de resolvê-las de forma funcional.

A presença do parceiro deve ser algo majoritariamente positivo para que a relação seja saudável. Se momentos de conflito são tão frequentes quanto ou mais frequentes que períodos de paz, sua relação precisa de uma manutenção urgente!

Durante as brigas, há troca de ofensas

Ofender verbalmente seu parceiro é cruzar a linha para o desrespeito, o que é um ato gravíssimo que aponta para problemas profundos naquele vínculo. Além disso, a cena pode ser traumática para os filhos (se o casal tiver) e colocar um exemplo de relacionamento nada saudável como referência.

Palavras ofensivas diminuem o outro e podem causar feridas emocionais profundas, além de não servirem para resolver conflito nenhum — apenas para agravar a situação. É uma forma de comunicação totalmente disfuncional que deve ser evitada a todo custo e não deve ser aceita por quem é alvo de ofensas.

Perda de foco

Muitas brigas não seguem um fluxo lógico e não vão levar a lugar nenhum. Se você repara que uma discussão entrou em um loop e os dois estão apenas batendo na mesma tecla, sem perspectiva de chegar a uma resolução ou ter qualquer avanço, o melhor a fazer é interromper a interação.

Deem tempo um ao outro para que a raiva diminua e as ideias fiquem mais organizadas. Insistir em uma discussão que recai sempre sobre os mesmos argumentos e acusações gera muito desgaste emocional e é, basicamente, uma perda de tempo. Então fuja dessa cilada.

Os motivos de brigas anteriores se repetem

Temáticas repetidas em brigas apontam para questões que ficaram mal resolvidas. E adivinha? Não é numa briga que elas vão se resolver. A briga vai apenas desgastar mais a relação e trazer novos ressentimentos.

A recorrência de motivos em brigas indica que, se o casal está tentando resolver aquela questão, a forma como está fazendo isso não está funcionando. Então é hora de parar, respirar e recalcular a rota.

Em um momento oportuno e calmo, conversem de forma bastante aberta e tentem entender por que não conseguem superar aquele ponto. A partir daí, desenvolvam estratégias mais funcionais para evitar o motivo das brigas.

Há agressão

Quando falamos em agressão, pensamos logo em agressão física. Existem outros tipos de agressão, a exemplo da verbal, que está presente nos insultos. Agressões que não são físicas, além de já serem gravíssimas, podem ser o começo de um processo que leva às físicas. Então muito cuidado.

Diante de uma agressão física, o melhor a fazer normalmente é encerrar a relação. Não somente é um ato de desrespeito absurdo, como pode ser crime. A necessidade de se afastar diante de uma agressão física ou ameaça de agressão é especialmente urgente para mulheres em relações com homens cis, pois o risco para a integridade física e até a vida da mulher é grande nesses casos.

Dicas para melhorar um relacionamento

Terapeuta anotando informações sobre consulta com um casal

A partir do momento que você identifica que existem problemas grandes numa relação e decide persistir nela, é fundamental buscar estratégias para que as coisas tomem o melhor rumo possível. Entenda algumas a seguir.

Evitem discutir no momento da raiva

Às vezes a necessidade de expressar o que incomoda parece urgente e irresistível. Às vezes, é a vontade de resolver logo o problema que nos leva a abordá-lo de cabeça quente. Mas qualquer um dos dois cenários é uma armadilha!

No momento da raiva, não conseguimos pensar com clareza e ficamos propensos a dizer coisas que podem machucar o outro. Então combine com seu parceiro o seguinte: quando estiverem irritados, interrompam a interação. Vale falar algo como "estou com raiva agora, é melhor a gente conversar depois" ou até criar um código para isso, como uma palavra aleatória.

Admitam e lidem com o problema existente

Não adianta tapar os olhos e fingir que está tudo bem. Infelizmente, problemas não desaparecem quando são ignorados, e negligenciar a crise no relacionamento só vai fazer com o que ela cresça. Para resolver um problema, o primeiro passo é reconhecê-lo.

Então admitam que existe um problema, mas sem desespero. Reconheçam o que está acontecendo e conversem de forma honesta, colocando as cartas na mesa. Só a partir disso é possível começar a buscar formas de lidar com a situação e melhorá-la.

Não envolvam os filhos nas brigas do casal

Arrastar os filhos para o meio da confusão só piora a bagunça. Algumas pessoas caem na armadilha de tentar jogar os filhos contra o parceiro, na busca por ter a razão numa situação ou sair na vantagem de alguma forma.

Além de piorar o atrito com o parceiro, isso coloca os filhos numa situação muito delicada e confusa. Evite também a todo custo permitir que seus filhos presenciem discussões. A situação gera um mal-estar desnecessário, e, principalmente no caso de crianças, nunca se sabe qual a leitura que elas vão fazer da situação.

A criança pode se sentir culpada pelas brigas, por exemplo, e desenvolver um medo de perder os pais de alguma forma. Se um atrito emergir quando um filho está por perto, não precisa fingir que está tudo bem.

Também não precisa mentir em meio a uma crise, gerando uma falsa ideia de que relações podem ser perfeitas. Mas a discussão em si não deve ser presenciada pelos filhos. Se ela começar, interrompa e converse com seu parceiro em outro momento, a sós.

Busquem apoio de um especialista em casais

É possível melhorar todas essas questões apenas através do esforço a dois? Sim. Mas é bem mais difícil e arriscado! Um auxílio profissional faz toda a diferença no processo. Nada como uma boa intervenção para que vocês consigam resolver as coisas de forma mais funcional e inteligente.

É muito mais difícil ter uma visão clara sobre problemas nos quais você está imerso, então uma terceira pessoa devidamente capacitada para ajudar aumenta muito as chances de sucesso e a rapidez da resolução.

O papel do terapeuta e resultados esperados

Casal sorrindo durante terapia

Via de regra, todo psicólogo devidamente formado e registrado no seu CRP (Conselho Regional de Psicologia) local está habilitado para realizar atendimento terapêutico, o que inclui a terapia de casal.

No entanto, capacitações a mais são altamente desejáveis, a exemplo de especializações, pós-graduações e outros cursos. Confira a seguir mais informações sobre o papel desse profissional e o que se espera dessa modalidade de atendimento.

Qual o papel do terapeuta de casais?

É comum que casais em atrito, ao conversar com o terapeuta, tentem colocá-lo no papel de juiz. Por exemplo, um dos dois pode expor uma situação de forma acusatória em relação ao parceiro e esperar que o psicólogo lhe dê a razão. No entanto, um bom profissional sempre vai frustrar essa expectativa, pois deve mostrar imparcialidade.

O terapeuta de casal atua como um mediador. Então ele não vai tomar as dores de ninguém, fazer qualquer juízo de valor ou dar opiniões pessoais. O papel do psicólogo no atendimento a casais é facilitar uma comunicação assertiva, respeitosa e honesta e trabalhar para que os dois alinhem suas expectativas.

Além disso, o profissional da psicologia é obrigado a zelar pelo sigilo profissional. Isso significa que ele não pode expor o que se passa com o casal para outras pessoas nem expor para um parceiro o que o outro disse em sua sessão individual, por exemplo.

Quais os resultados esperados através da terapia?

Muita gente tem a tendência de pensar que a terapia de casal é, necessariamente, para que o casal permaneça na relação. Mas não é bem assim. O psicólogo não deve se mostrar nem a favor nem contra a continuidade do relacionamento, e sim trabalhar com o par a resolução dos conflitos existentes e o desenvolvimento de habilidades que podem melhorar a comunicação e a convivência.

A terapia de casal também elucida muitas questões sobre o relacionamento e permite que os parceiros tenham uma percepção mais nítida. Isso pode resultar em um dos dois ou ambos decidindo que o melhor caminho a se tomar é a separação, o que não significa que a terapia falhou. Mas, se o casal quiser continuar junto, a terapia fornece várias ferramentas para que a relação seja muito melhor.

É possível realizar a terapia de casal online?

Assim como a terapia individual pode acontecer online e funcionar tão bem quanto a presencial, a terapia de casal virtual é uma opção. Para que aconteça sem problemas, é importante garantir uma conexão estável com a Internet e recursos (como câmera e microfone) que permitam um mínimo de qualidade no áudio e no vídeo durante a chamada.

Atendimentos online se tornaram bem mais frequentes com a pandemia, e é provável que continuem tendo força no meio terapêutico. O atendimento psicológico online é regulamentado e deve ser realizado por profissionais devidamente cadastrados na plataforma E-Psi.

A terapia de casal funciona?

Os resultados do processo terapêutico dependem muito do nível de comprometimento de quem está envolvido. Via de regra, qualquer psicoterapia com um bom profissional e um paciente ou cliente engajado e comprometido com o próprio crescimento vai funcionar.

Vale ressaltar que, como já foi mencionado, a terapia funcionar não significa necessariamente que o casal vai permanecer junto. Mas significa que o resultado daquele processo foi proveitoso. Esse resultado envolve o autoconhecimento de cada um e o autoconhecimento do casal em si, o entendimento de como aquela relação funciona.

Os frutos da terapia de casal também implicam no desenvolvimento de habilidades que serão importantes para a continuidade saudável daquela relação ou para um desempenho melhor em novas relações. Então sim: a terapia de casal funciona.

O que fazer quando meu parceiro não tem interesse em fazer terapia de casal?

Casal discutindo em terapia

Não adianta obrigar alguém a fazer terapia, seja ela individual ou de casal. A maioria dos psicólogos vai exigir alguma garantia de consentimento dos dois ou não dar continuidade às sessões se perceber que uma das partes foi coagida a estar ali ou surpreendida.

É possível dialogar com seu parceiro e expor, exatamente, por que você acredita que é importante tentarem uma terapia de casal e como ela pode ajudá-los. Talvez vocês possam assistir juntos vídeos que expliquem como funciona a terapia de casal ou que tenham depoimentos de casais que passaram por esse processo.

Se mesmo assim seu parceiro não quiser tentar, não há muito o que fazer. Mas uma boa opção é você fazer terapia individual. Essa modalidade, além de dar suporte a suas questões pessoais, ajuda muito a desenvolver algumas estratégias para lidar com outras pessoas, o que inclui seu parceiro amoroso.

Autor deste artigo

Psicóloga recém-nascida e redatora do Sonho Astral. Católica e noiva.
"Não gosto da vida em banho-maria, gosto de fogo, pimenta, alho, ervas. Por um triz não sou uma bruxa" (Martha Medeiros).

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